Jewish-Christian Relations

Insights and Issues in the ongoing Jewish-Christian Dialogue

  • About us
  • Contact
  • Legal Notice
Please choose your language: English Deutsch Português Español Français русский 
  • Home
  • Articles
  • Statements
  • Reports
  • Book Reviews
  • People
  • Links
  • Search
  • Observations & Experiences
  • Fundamentals & Introductions
  • Scholarly Contributions
  
  • Articles |
  • Observations & Experiences |
  • Modelo a se perder ou tarefa para o futuro? À Semana da Fraternidade:
    O Diálogo Cristão-Judaico no Posto de Prova
Similar articles
Used Tags
Artigos | Observações & Experiências (321)

Schaller, Berndt | 01.05.2003

Modelo a se Perder ou Tarefa para o Futuro?
À Semana da Fraternidade:
O Diálogo Cristão-Judaico no Posto de Prova

Berndt Schaller

As relações entre cristãos e judeus no nosso país (Alemanha) parecem correr bem. Quem o quis presenciar o pôde no domingo passado, na abertura da Semana da Fraternidade em Münster.

O Conselho Alemão de Coordenação, o grêmio teto das entrementes mais que oitenta associações para a cooperação cristã-judaica, convidara. E muitos vieram, também proeminências políticas, eclesiais e sociais, entre outras também o presidente dos ministros do país anfitrião e até o Presidente da Federação. A Medalha Buber-Rosenzweig, a condecoração mais alta das associações cristãs-judaicas, foi conferida ao Ministro de Negócios Exteriores da Republica Federal, Joschka Fischer, e o Presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Paul Spiegel, fez o panegírico.

Não só bagatelas, certamente. Expressão de respeito mútuo, até de confiança crescida. De fato, ao relacionamento entre cristãos e judeus se tem mudado fundamentalmente nos últimos cinqüenta anos. Por séculos, os relacionamentos estavam sob o augúrio de adversidade ideada e inimizade praticada, e desdém e perseguição até à eliminação, no lado cristão, e, no lado judaico, aversão, defesa e delimitação determinavam o relacionamento. Na sombra da Shoáh, ia-se preparando um processo de volta e de repensar. As Igrejas cristãs começaram avistar criticamente as suas atitudes antijudaicas tradicionais, confessar falhar culposo e entrar em novos caminhos no relacionamento aos judeus e ao Judaísmo. A defesa contra o anti-semitismo, a promoção da comunidade judaica e o intervir a favor do direito de existência do Estado de Israel chegou a ser pilar fundamental da política democrática alemã. Para isso acontecer, as Associações para a Cooperação Cristã-Judaica, fundadas desde 1948 na velha República Federal, não por último, realizaram trabalho importante de base. Quem o conhece bem, quem conhece as ramificações dos mencionados processos vai confirmar isso.

E não obstante, apresenta-se hoje a pergunta, se o diálogo cristão-judaico terá ainda futuro ou será um modelo para se perder. Até que ponto o alcançado até agora vai se provar resistente?

Já agora várias coisas se estão desmoronando, ressaltam mudanças ameaçadoras e rejeições. Tendência antijudaica e anti-semítica - como borra sempre existente - faz-se notar na nossa sociedade republicana federal aumentando, deixa-se novamente até instrumentalizar politicamente. Velhos fantasmas de mentalidade racista saem das suas caves, mexendo-se em plena publicidade. Também nos pisos das elites sociais caem as soleiras de inibição. O fim da “veda” para os judeus está sendo declarado. Mas não só isso. O próprio diálogo cristão-judaico perde de velocidade, por várias razões. Já desde sempre era - aqui como ali - só coisa de poucos. E agora se vai a geração dos imediatamente atingidos pela Shoáh. O tema de vida dos descendentes não está sendo mais na sombra do passado. Muitos, a isso, sabem só pouco ou completamente mais nada que fazer com a componente religiosa contida no conceito “cristão-judaico”, não só nos novos Países da Federação, mas também nos antigos. A “necessidade” de relacionamentos cristãos-judaicos está diminuindo. Isso vale para ambos os lados.

A comunidade judaica está, mais do que nunca, diante da tarefa, depois da destruição da vida judaica rica em tradição, de voltar a ganhar chão na Alemanha e encontrar forma. As famílias judaicas imigradas dos países da antiga União Soviética querem ser integradas social e culturalmente; e, além disso, é preciso cuidar para que finquem pé também religiosamente. Como se pode, então, meter-se em grande escala na temática de relações cristãs-judaicas? A isso vêm reservas em princípio. Na memória coletiva, em parte também na memória pessoal, o vis-à-vis cristão está carregado com traços petulantes, ameaçadores. Alguns, nomeadamente círculos ortodoxos, recusam o diálogo cristão-judaico porque o suspeitam um como modo disfarçado de subversão cristã.

Também no lado cristão, o interesse estagna, em parte está até diminuindo. Nos lugares de formação acadêmica da nova geração teológica, nas faculdades teológicas e escolas superiores, o conhecimento do Judaísmo e o relacionamento judaico-cristão, como dantes, jogam um papel subordinado. São lutadores isolados que se dedicam a isso. Nas ordens de estudos e exames, tal coisa é, se de algum modo, somente marginalmente ancorada. As variedades neoliberais e neoconservativas, que estão voltando a se divulgar nas teologias protestante e romana, não vêem nenhum assunto central na relação com o Judaísmo; ambas defendem, antes, a superioridade cristã. E nas Igrejas? As suas publicações de princípio são dialogadamente juradas, mas, nas bases, isso ainda não se espalhou por toda a parte. Sons de missão aos judeus não soam somente em grupos piedosos fundamentalistas, mas também alguns oficiais os fazem ouvir. Embora ações missionárias fiquem desaprovadas, mas com renúncia unívoca teologicamente fundada muitos têm as suas dificuldades. Entretanto, embora indicações fossem incluídas em algumas ordens eclesiais de base, - nas quais a ancoragem da fé cristã na historia de Deus com o povo judaico está sendo enfatizada, sendo falado da aliança não revogada de Deus com o seu povo, - isso sucedeu não sem resistências óbvias, ficando ainda restrito a algumas poucas províncias eclesiais. E, em muitos lugares, formam-se movimentos, os quais restringem o que até agora foi alcançado, distanciando-se disso ou até o pondo em dúvida. Atuais são, em todo o caso, outros assuntos e questões. Problemas internos, a crescente diminuição de membros, a perda de relevância social preocupam as Igrejas. Como freio nos relacionamentos cristãos-judaicos funciona, a isso, o conflito israelense-palestinense. Lealdade crítica vira distanciamento crítico unilateral. Fazer justiça a ambos os lados se consegue dificilmente.

Tudo isso não representa muitas perspectivas boas para a continuação do diálogo. Semanas de fraternidade, seja tão impressionantemente como forem inauguradas, não poderão ocultar isso. O quê será que fique? Desistir, retirar-se? Ao contrário. Como dantes, vale o que, faz cinqüenta anos, Leo Baeck assentou na sombra do passado e com olhar ao futuro: “O Judaísmo e a Cristandade devem ser exortação e advertência: a Cristandade a consciência do Judaísmo e o Judaísmo a consciência da Cristandade. Essa base comum, essa possibilidade comum, essa missão comum, a cujo reconhecimento estão sendo conduzidos, será para eles uma chamada para irem ao encontro uns aos outros. E, então ambos serão capazes de ocuparem juntos o seu lugar, não um contra o outro, mas sim lado a lado diante o foro do Onipotente, do tribunal, diante o qual os judeus e os cristãos se entendem ser citados cada dia igualmente.” Essa missão permanece, mais urgente como nunca, face à rejeições globais e locais do nosso tempo. Se o projeto do diálogo cristão-judaico tenha perspectiva para o futuro, decidir-se-á enquanto os judeus e os cristãos, as judias e as cristãs se conseguirem conciliar assim que levantem - em questões de princípio sociais, e também em questões particulares de lugar e perante um mundo cada vez mais secularizado - a sua voz, chegando a ser ativos junto. O que até agora sucedeu, sob o augúrio do dialogo cristão-judaico, eram trabalhos preparatórios para isso, necessários, trabalhos preparatórios no sentido pleno. Várias, até muitas coisas foram alcançadas nisso. Mas a prova, orientada pela cooperação real, fica por vir. E para isso, precisa-se possivelmente duma geração mais jovem, mais nova de parceiros de diálogo. A palavra do profeta Miquéias (6,8), que serve de base para o tema deste ano das Associações para a Cooperação Cristã-Judaica, podia dar o acorde básico: “Foi-te anunciado, homem, o que é bom; e o quê Ele exige de ti senão praticar justiça e amor e andar humilde com o teu Deus.”


Texto alemão em: Jüdische Allgemeine Wochenzeitung, 12 de março de 2003

Tradução: Pedro von Werden

 


FootnotesTo top


 
© 2010 International Council of Christians and Jews